quarta-feira, 15 de maio de 2013


Universidade Federal da Paraíba
Centro de Ciências Humanas Letras e Artes
Departamento de Ciências Sociais
Curso de Ciências Sociais


Disciplina: Formação do Estado no Brasil
Docente: Prof. Dr. José Henrique Artigas de Godoy
Período: 2013.1

Programa

AULA 1 . Apresentação do curso

AULA 2. José Bonifácio: constitucionalismo e independência

O processo de independência foi marcado por um conjunto complexo de contradições que deram origem à conquista da soberania e à construção do Estado no Brasil. O processo de independência, a convocação da constituinte de 1823 e a outorga da Carta de 1824, enquanto orientam a construção do aparelho de Estado no I Reinado, lançam luz sobre José Bonifácio, que ganha notoriedade como intelectual e político. A ideia da existência de um “patriarca da independência” envolve a construção mítica da imagem de Bonifácio como o artífice da ruptura com a metrópole. Se, por um lado, constrói-se o mito de Bonifácio, por outro, fica patente a necessidade de o Estado se autonomizar e se qualificar de forma moderna, distinguindo as atividades administrativas das políticas e familiares. Os grupos políticos, que se tornariam mais tarde os primeiros partidos políticos, já se demonstram em gestação, exprimindo uma realidade de conflitos entre as forças nativas e os interesses portugueses.

Bibliografia indicada

CALDEIRA, Jorge (2002). José Bonifácio. São Paulo: Ed. 34, “Introdução”, pp. 9-41.
COSTA, Emília Viotti da (1998).  Da Monarquia à República. São Paulo: Editora UNESP, 8ª ed., cap. 2, “José Bonifácio: mito e história”, pp. 63-133.

Bibliografia complementar

COSTA, Emilia Viotti da (1985). “Introdução ao estudo da emancipação política”. In MOTA, Carlos Guilherme – Brasil em Perspectiva. São Paulo: Difel, 15ª ed., pp. 64-126.
MOTA, Carlos Guilherme (1999). José Bonifácio: Projetos para o Brasil. In MOTA, Lourenço Dantas (org.) – Introdução ao Brasil: um banquete no trópico. São Paulo: SENAC, 2ª ed., pp. 75-95.
SILVA, José Bonifácio de Andrada e ([1825]). Representação à Assemblea Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil: Sobre a Escravatura. Paris: Typographia de Firmin Didot.
SOUZA, Octávio Tarquínio de ([1945]). José Bonifácio. Rio de Janeiro: José Olympio.

WEFFORT, Francisco ([2006]). Formação do pensamento político brasileiro. São Paulo: Ática, cap. 7, “Primeiro Reinado: José Bonifácio e Bernardo Pereira de Vasconcelos: liberalismo e conservadorismo”, pp. 163-187.


AULA 3. Visconde do Uruguai: a regência e o Tempo Saquarema

O período regencial referenciou o surgimento dos grupos políticos que lançaram as bases de formação burocrática do Estado Nacional. Se o início do período regencial foi marcado pelos ideais republicanos e federalistas, a reação conservadora, por sua vez, instaurou o Tempo Saquarema, como classifica Ilmar Mattos. A trindade Saquarema, formada pelos principais líderes do Partido Conservador, será a ponta de lança do projeto construtor do arcabouço político e jurídico que deu estabilidade e sustentação ao II Reinado e, de forma geral, ao Estado brasileiro. A centralização, a burocratização e o autoritarismo serão as marcas profundas deixadas pelo Tempo Saquarema. O Visconde do Uruguai foi um símbolo da mudança de rumos tomada pelos moderados da regência. A criação do primeiro grande partido brasileiro, o Partido Conservador, com disciplina e hierarquia, com um programa relativamente homogêneo, sustentou a criação de uma estrutura estatal tendente à autonomia. Entre os pais fundadores do Estado brasileiro, antes que os imperadores, estariam, portanto, os artífices principais do arcabouço burocrático estatal, as principais lideranças políticas do tempo Saquarema, como Uruguai, Itaboraí, Paraná, São Vicente, Araújo Lima, além de Bernardo Pereira de Vasconcelos.

Bibliografia indicada

 CARVALHO, José Murilo de (org.) (2006). “Entre a autoridade e a liberdade”. In CARVALHO, José Murilo de. Visconde do Uruguai. Ed. 34, São Paulo, pp. 11- 76.

Bibliografia complementar

BRANDÃO, Gildo Marçal ([2007]). Linhagens do pensamento político brasileiro. São Paulo: Hucitec, cap. 1, pp. 21-68.
CALDEIRA, Jorge (org.) ([1999]). Diogo Antonio Feijó. São Paulo: Ed. 34, introdução, pp. 11-42.
CARVALHO, José Murilo de (org.) ([1999]). Bernardo Pereira de Vasconcelos. São Paulo: Ed. 34, “Introdução”, pp. 9-36.
CARVALHO, José Murilo de (1999). “Centralização e descentralização no Império”. In CARVALHO, José Murilo de – Pontos e bordados: escritos de história e política. Belo Horizonte: Ed. UFMG, pp.155-189.
LYNCH, Chritian Edward Cyril. “A vocação sociológica do legislador: o pensamento político do Marquês de Caravelas”. In RIBEIRO, Gladys Sabina. Brasileiros e cidadãos: modernidade e política (1822-1930). São Paulo: Alameda, pp. 149-174, 2008.
MATOS, Ilmar Rohloff de (1987). O tempo Saquarema: a formação do Estado imperial. São Paulo: Hucitec.


AULA 4. Tavares Bastos: Origens do liberalismo e a descentralização federativa

Tavares Bastos, ao lado de outras lideranças políticas, como Torres Homem, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, foi um dos primeiros autores a criticar o regresso conservador e defender a descentralização monárquica. Prescrevendo um modelo liberal e federativo, americanista, Bastos foi um crítico contundente do Estado burocrático e autoritário. Tanto o Visconde do Uruguai quanto Tavares Bastos foram influenciados pela Democracia na América, de Tocqueville, não obstante, os usos que cada um fez do texto do aristocrata francês são comumente diversos e geralmente delineiam argumentos contraditórios. A crítica liberal de Tavares Bastos ao centralismo burocrático de Uruguai inaugura uma linhagem intelectual de grande longevidade.

Bibliografia indicada

BASTOS, Tavares (1975[1870]). A província: estudo sobre a descentralização no Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, coleção brasiliana, nº 105,  3ª ed.

Bibliografia complementar

BRANDÃO, Gildo Marçal (2007). Linhagens do pensamento político brasileiro. São Paulo: Hucitec, cap. 1, “Linhagens do pensamento político brasileiro”, pp. 21-68.

FERREIRA, Gabriela Nunes ([1999]). Centralização e descentralização no Império: o debate entre Tavares Bastos e o Visconde de Uruguai. São Paulo: Ed. 34.

AULA 5. Joaquim Nabuco: os abolicionismos e a obra da escravidão

Intelectual, político, diplomata, o nome de Joaquim Nabuco se inscreve no tablado dos mais importantes intérpretes do Brasil. Foi um dos primeiros intelectuais a analisar o novo espírito burguês que emergia com as transformações sócio-econômicas e políticas do final do século XIX.

Bibliografia indicada

NABUCO, Joaquim ([1883]2000). O abolicionismo. São Paulo: Nova Fronteira/Publifolha.

Bibliografia complementar
ALENCASTRO, Luis Felipe de (1999).“Joaquim Nabuco: Um estadista no Império”. In MOTA, Lourenço Dantas (org.). Introdução ao Brasil: um banquete no trópico. São Paulo: SENAC, vol. 1, 2ª ed., pp.113-133.
ALONSO, Ângela ([2007]). Joaquim Nabuco. São Paulo: Companhia das Letras.
CARVALHO, Maria Alice Rezende de (2002). “Joaquim Nabuco: Minha formação”. In MOTA, Lourenço Dantas (org.) – Introdução ao Brasil: um banquete no trópico. São Paulo: SENAC, vol. 2, 2ª ed., pp.219-237.
NABUCO, Joaquim (2005). Campanha abolicionista no Recife: eleições de 1884. Brasília: Edições do Senado Federal, volume 59, “Discurso proferido num Meeting Popular na Praça de São José de Ribamar a 5 de novembro de 1884”, pp. 55-61.
NABUCO, Joaquim ([1900]1948). Minha Formação. São Paulo: Jackson Editôres, coleção Clássicos Jackson, volume XX, cap. XIX, “Eleição de deputado”, pp. 217-227.
NOGUEIRA, Marco Aurélio (2002). “Joaquim Nabuco: O abolicionismo”. In MOTA, Lourenço Dantas (org.) – Introdução ao Brasil: um banquete no trópico. São Paulo: SENAC, vol., 2, 2ª ed., pp. 167-191.
PEREIRA, Paulo José dos Reis (2006). A política externa da Primeira República e os Estados Unidos: a atuação de Joaquim Nabuco em Washington (1905-1910). São Paulo: Hucitec/FAPESP.
WEFFORT, Francisco ([2006]). Formação do pensamento político brasileiro. São Paulo: Ática, cap. 9, “Joaquim Nabuco: a escravidão e a ‘obra da escravidão’”, pp. 203-223.

AULA 6. Primeira Avaliação - PROVA

 AULA 7. Alberto Torres: a organização nacional

Alberto Torres foi o pai dos nacionalistas do início do século XX. Suas posturas se adequavam aos ventos nacionalistas que sopravam no fim da era dos Impérios, que redundaram nos dois conflitos mundiais. Torres foi o primeiro autor brasileiro a criticar os teóricos da raça na Europa e seus representantes no Brasil. Defendia a necessidade de afirmação da soberania e elogio do nativo e da identidade nacional miscigenada. Torres foi um crítico da importação de braços, defendendo, em contrapartida, a integração dos negros libertos. A defesa da integração do negro é associada à afirmação da mestiçagem e à crítica ao racialismo. Para Alberto Torres, o Brasil do começo no século XX ainda não haveria constituído um povo, visto que o país não era sentido como pátria nem tinha a unidade de uma nação. Seríamos uma população dispersa e sem amálgama cívico que consolidasse laços de identidade e reciprocidade, que unisse os brasileiros sob uma pátria, que seria o esteio da construção do povo e da nação. Alberto Torres defendia a organização nacional através da criação de um estado autoritário instrumental, centralizado, burocratizado, alheio aos interesses e à pessoalidade, um Estado dirigido por um líder independente, responsável e que encarnasse a alma da nação. O líder que Torres buscava surgiu: Vargas.

Bibliografia indicada

TORRES, Alberto (1978[1914]). O problema nacional brasileiro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, coleção brasiliana, vol. 16, 3ª ed..

Bibliografia complementar

KUNTZ, Rolf (2002). “Alberto Torres: O problema nacional brasileiro”. In MOTA, Lourenço Dantas (org.) – Introdução ao Brasil: um banquete no trópico. São Paulo: SENAC, 2ª ed., pp. 259-279.
LEITE, Dante Moreira (1969). O caráter nacional brasileiro. São Paulo: Pioneira, 2ª ed..
LIMA, A. Sabóia (1935). Alberto Torres e sua obra. São Paulo: Ed. Nacional, 2ª ed..
MARSON, Adalberto (1979). A ideologia nacionalista de Alberto Torres. São Paulo: Duas Cidades.
SIMÕES, Francisco Teotônio (1978). Repensando Alberto Torres: o pensamento político de Alberto Torres. São Paulo: Dissertação, PUC /SP.
SOBRINHO, Antonio Barbosa Lima – Alberto Torres no centenário de seu nascimento. Jornal do Comércio, 01/01/1966.
SOBRINHO, Antonio Barbosa Lima (1968). Presença de Alberto Torres. Rio de Janeiro: Civilização brasileira.

AULA 8. Oliveira Vianna: instituições políticas e realidade nacional

Tributário da tradição estatista autoritária instrumental do Visconde do Uruguai e de Alberto Torres, Oliveira Vianna é um dos mais importantes intérpretes das instituições brasileiras. O Estado autoritário seria o melhor instrumento para a constituição de uma opinião pública, qualificando a sociedade à participação cidadã. O autoritarismo seria um meio para que se forjassem as condições propícias ao desenvolvimento das liberdades individuais e da opinião pública. A democracia e a participação, o liberalismo e os direitos de cidadania só poderiam ser almejados após uma etapa de tutela estatal a partir da qual se construiriam os princípios cívicos, independentes dos interesses das elites parasitárias e oligárquicas.  A tradição política no Brasil teria sido marcada pelo espírito de clã, fundamento do grande domínio rural. Embora o arcabouço jurídico-legal republicano fosse moderno, não era adequado à realidade política do mando e da tradição clãnica. O Brasil legal não se adequava ao Brasil real. Realista, Oliveira Vianna, segundo sua própria classificação, poderia ser inscrito como um intelectual orgânico, alheio aos estrangeirismos e às importações de modelos institucionais e políticos avessos à realidade da nação. Em contraponto aos intelectuais orgânicos, se colocavam os liberais considerados intelectuais utópicos ou constitucionais, que defendiam o argumento de que boas leis fazem bons homens. Para Oliveira Vianna, bons homens fazem boas leis.

Bibliografia indicada

VIANNA, Oliveira (1939 [1927]). O idealismo da constituição. São Paulo: Companhia Editora Nacional, coleção brasiliana, série 5, vol. 141, 2ª ed..

Bibliografia complementar

ALMEIDA, Maria Hermínia Tavares de (1999). Oliveira Vianna: Instituições políticas brasileiras. In MOTA, Lourenço Dantas (org.) – Introdução ao Brasil: um banquete no trópico. São Paulo: SENAC, 2ª ed., vol. 1, pp.293-315.
AMARAL, Azevedo (1981 [1938]). O Estado autoritário e a realidade nacional. Brasília: Ed.UnB, Câmara dos deputados.
BASTOS, Elide Rugai & QUARTIM DE MORAES, João (orgs.) (1993). O pensamento de Oliveira Vianna. Campinas: Ed.UNICAMP.
BRANDÃO, Gildo Marçal (2002). Oliveira Vianna: Populações Meridionais do Brasil. In MOTA, Lourenço Dantas (org.). Introdução ao Brasil: um banquete no trópico. São Paulo: SENAC, 2ª ed., vol. 2, pp. 299-327.
BRANDÃO, Gildo Marçal([2007]). Linhagens do pensamento político brasileiro. São Paulo: Hucitec, cap. 2, “O programa de pesquisa conservador”, pp. 68-102.
CARVALHO, José Murilo de (1999). Pontos e bordados. Belo Horizonte: Ed. UFMG, “A utopia de Oliveira Viana”, pp. 202-233.
LAMOUNIER, Bolívar (1985 [1978]). “Formação de um pensamento político autoritário na Primeira República: uma interpretação”. In Holanda, Sérgio Buarque - História Geral da Civilização Brasileira. São Paulo: Difel, 3ª ed., 2º vol., tomo III.
LEITE, Dante Moreira (1969). O caráter nacional brasileiro. São Paulo: Pioneira, 2ª ed..
PIVA, Luiz Guilherme ([2000]). Ladrilhadores e semeadores: a modernização brasileira no pensamento de Oliveira Vianna, Sérgio Buarque de Holanda, Azevedo Amaral e Nestor Duarte (1920-1940). São Paulo: Ed. 34/Depto. Ciência Política-FFLCH/USP, cap. 4, “Oliveira Vianna: organização nacional para construção e realização do futuro”, pp.89-153,.
RICUPERO, Bernardo ([2007]). Sete lições sobre as interpretações do Brasil. Alameda, cap. 2, “Oliveira Vianna”, pp. 49-75, São Paulo.
SANTOS, Wanderley Guilherme dos (1978). Ordem Burguesa e Liberalismo Político. São Paulo: Duas Cidades.
VIANNA, Oliveira (1987[1918]). Populações Meridionais do Brasil. Belo Horizonte: EDUFF/Itatiaia.
VIANNA, Oliveira (1955 [1949]). Instituições Políticas Brasileiras. José Olympio, 2ª ed., Rio de Janeiro,.
VIANNA, Oliveira (1945 [1930]). Problemas de política objetiva. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2ª ed..
VIANNA, Oliveira (1938[1923]). Evolução do povo brasileiro. José Olympio, 3ª ed., Rio de Janeiro.
WEFFORT, Francisco ([2006]). Formação do pensamento político brasileiro. São Paulo: Ática, cap. 11, “Oliveira Viana: transição da primeira à segunda República”, pp. 249-275.

AULA  9. Nestor Duarte: a ordem privada e a organização nacional

Nestor Duarte, atuante jurista, jornalista e parlamentar, foi um dos mais destacados intelectuais a defender o projeto de reforma agrária na constituinte de 1946. A defesa da reforma agrária era ancorada em um pensamento que antepunha o domínio rural latifundiário à cidadania e à criação da esfera política. O despotismo familístico próprio do grande domínio rural havia gestado um poder privado absorvente que inibiria a criação de quaisquer formas livres e autônomas de exercício da cidadania. A população brasileira, atomizada e submetida ao domínio familiar, jamais teria conhecido a res publica, apenas vivenciara a res privata, o universo de domínio privado e familiar, a oikia, a despotéia. O latifúndio teria sido o fundamento da ordem privada, o Estado, enquanto instituição política autônoma, jamais teria se fundado no Brasil.

Bibliografia indicada

DUARTE, Nestor (1966 [1939]). A ordem privada e a organização nacional: contribuição à sociologia política brasileira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, coleção brasiliana, vol. 172, 2ª ed..

Bibliografia complementar

BRANDÃO, Gildo Marçal ([2007]). Linhagens do pensamento político brasileiro. São Paulo: Hucitec, cap. 1, “Linhagens do pensamento político brasileiro”, pp. 21-68.
PIVA, Luiz Guilherme ([2000]). Semeadores e ladrilhadores: a modernização brasileira no pensamento político de Oliveira Vianna, Sérgio Buarque de Holanda, Azevedo Amaral e Nestor Duarte (1920-1940). Ed. 34/Depto. São Paulo: Ciência Política FFLCH/USP, cap. 7, “Nestor Duarte: determinismo privado e razão pública”, pp. 227-251.

AULA 10. Victor Nunes Leal: Coronelismo, enxada e voto

Victor Nunes Leal, jurista e ministro do Supremo Tribunal Federal, foi um dos primeiros intelectuais a exercer, segundo padrões acadêmico-formais, estudos institucionalistas sistemáticos, distinguindo-se dos ensaístas que marcaram as gerações anteriores de pensadores focados na observação das instituições e do Estado brasileiro. Neste sentido, inscreve-se como um dos precursores da Ciência Política no Brasil. Sua análise do coronelismo é, ainda hoje, a principal referência nos estudos sobre o domínio rural e familístico, o poder local, o mandonismo, e também sobre as origens do clientelismo.

Bibliografia indicada

LEAL, Victor Nunes (1975 [1949]). Coronelismo, enxada e voto: o município e o regime representativo no Brasil. São Paulo: Alfa-Ômega.

Bibliografia complementar

CARVALHO, José Murilo de (1999). Mandonismo, coronelismo, clientelismo: uma discussão conceitural. In CARVALHO, José Murilo de – Pontos e Bordados: escritos de história e política. Belo Horizonte: Ed. UFMG, pp. 130-155.
CARVALHO, José Murilo de (1980). Em louvor de Victor Nunes Leal. Rio de Janeiro: Dados, vol. 23, nº 1.
GRAHAN, Richard ([1990]1997). Clientelismo e política no Brasil do século XIX. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ.
LEAL, Victor Nunes (1980). “O coronelismo e o coronelismo de cada um”. Rio de Janeiro: Dados, vol. 23, nº 1.
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de ([1970] 1976). O mandonismo local na vida política brasileira. São Paulo: Alfa-Ômega.
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de ([1975]). O coronelismo numa interpretação sociológica. In; Fausto, Boris (org.). História Geral da Civilização Brasileira. São Paulo: Difel, tomo III, vol.1.

AULA 11 – Segunda Avaliação - PROVA


AULA 12. Raymundo Faoro: os Donos do Poder

Jurista, Faoro também assume uma postura intelectual focada nas instituições e no Estado brasileiro. Sua tese, que incorpora alguns conceitos de Weber, embora sob uma abordagem “heterodoxa”, procura definir a existência persistente de um estamento burocrático-patrimonial à frente do Estado, o que inibiria a organização livre e autônoma da sociedade civil. O estamento burocrático-patrimonial barraria a conquista da cidadania e das liberdades. A centralização e a macrocefalia do Estado seria resultante dos interesses privilegiados dos donos do poder, encastelados na máquina estatal. O patrimonialismo, de origem lusa, haveria minado as bases da construção da modernidade e da cidadania. A centralização autoritária do poder geraria um Estado à imagem de um Hércules Quasimodo, todo-poderoso e impotente, com um poder centralizado que não atingiria as extremidades de seu corpo, um Estado com uma cabeça enorme, quase sem braços ou pernas. O estamento burocrático-patrimonial inibiria a consecução dos direitos, enquanto incentivaria a modernização autoritária, de cima para baixo, sem incorporar os valores éticos e morais da modernidade.

Bibliografia indicada

FAORO, Raymundo ([1957] 2000). Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. São Paulo: Globo/Publifolha.

Bibliografia complementar

BENEVIDES, Maria Victória de Mesquita ([2003]). “Faoro: nosso amigo”. São Paulo: Lua Nova, nº 58.
BOSI, Alfredo (2004). “Faoro: leitor de Machado de Assis”. São Paulo: Estudos Avançados, vol. 18, nº 51.
CAMPANTE, Rubens Goyatá ([2003]). “O patrimonialismo em Faoro e Weber e a sociológica brasileira”. Rio de Janeiro: Dados, vol. 46, nº 1.
COMPARATO, Fábio Konder ([2003]). “Faoro historiador”. São Paulo: Estudos Avançados, vol. 17, nº 48.
RICUPERO, Bernardo ([2007]). Sete lições sobre as interpretações do Brasil. São Paulo: Alameda, cap. VI, “Raymundo Faoro”, pp. 155-181.
SHWARTZMAN, Simon ([2003]). “Atualidade de Raymundo Faoro”. Rio de Janeiro: DADOS, Vol. 46, n. 2, pp. 207 a 213.
SOUZA, Laura de Mello e ([1999]). “Raymundo Faoro: Os donos do poder”. In MOTA, Lourenço Dantas (org.) – Introdução ao Brasil: um banquete no trópico. São Paulo: SENAC, 2ª ed., vol. 1, pp. 335-357.

AULA 13. Caio Prado Júnior: a Revolução Brasileira

Um dos mais destacados intérpretes do Brasil, Caio Prado Júnior foi um intelectual engajado, rompeu com a tradição hegemônica das esquerdas no país ao negar a afirmativa de persistência de restos feudais, incompatíveis com a modernidade e com o capitalismo. A partir da interpretação “feudal” se articularam, por décadas, as estratégias revolucionárias das esquerdas e, especialmente, do PCB. Intelectual rigoroso, Caio Prado demonstrou o erro de origem dos argumentos das esquerdas, superando as interpretações “feudais”, afirmando que o modelo escravista foi mercantil e não feudal, e a revolução burguesa e a consolidação do capitalismo industrial, ao contrário daquele gestado nos países desenvolvidos, haveria se forjado a partir da agroindústria do café. Desde a colonização o perfil mercantil preponderou, inexistindo uma classe camponesa ou qualquer elemento feudal. Por isso, a aliança estratégica com a burguesia nacional demonstrar-se-ia um erro profundo, derivado do etapismo incauto e da ortodoxia dogmática das esquerdas.

Bibliografia indicada

PRADO JÚNIOR, Caio ([1966]). A Revolução Brasileira. Brasiliense: São Paulo.

Bibliografia complementar

D’INCAO, Maria A. (org.) ([1984]). História e ideal: ensaios sobre Caio Prado Júnior. São Paulo: Brasiliense.
PRADO JÚNIOR, Caio ([1933] 1988). Evolução política do Brasil: colônia e império. Brasiliense, 16ª ed.,.
PRADO JÚNIOR, Caio (2000). Formação do Brasil contemporâneo: colônia. São Paulo: Brasiliense/Publifolha.
PRADO JÚNIOR, Caio ([1945]1980). História econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 25ª ed..
NOVAIS, Fernando ([1983]). “Caio Prado Júnior historiador”. São Paulo: Novos Estudos CEBRAP, nº 18.
RICÚPERO, Bernardo ([2000]). Caio Prado Júnior e a nacionalização do marxismo no Brasil. São Paulo: Ed. 34/FAPESP/Depto. Ciência Política FFLCH/USP.
RICÚPERO, Bernardo ([2007]). Sete lições sobre as interpretações do Brasil. São Paulo: Alameda, cap. V, “Caio Prado Júnior”, pp. 129-155.

AULA 14. Populismo: Francisco Weffort

Francisco Weffort, membro destacado da escola paulista uspiana, recobra as experiências de governos populistas no Brasil, especialmente após o getulismo, destacando caracteres centrais do sistema político, como o pacto pluriclassita e de compromisso, o corporativismo, o empreguismo, a garantia de benefícios diretos às massas, o relacionamento personalista entre líderes políticos e massas populares não mediado por instituições de representação ideológica ou de interesses, a cooptação, a exaltação do líder, o clientelismo, entre outros. Recentemente, em face do retorno de discursos e práticas associadas ao desenvolvimentismo, vêm sendo recolocado o debate sobre um possível retorno ao populismo na América Latina e no Brasil, exigindo o resgate da tese de Weffort para a compreensão dos aspectos similares e distintos daqueles classificados pelo autor quando da publicação de seu doutorado, o clássico O populismo na política brasileira.

Bibliografia indicada

WEFFORT, Francisco ([1978]2003). O populismo na política brasileira. São Paulo/Rio de Janeiro: Paz e Terra, 5ª ed., capítulo III, “O populismo na política brasileira”, pp.71-89.

Bibliografia complementar

CARDOSO, Fernando Henrique & FALETTO, Enzo ([1969]2004). Dependência e desenvolvimento na América Latina: ensaio de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 8ª ed., capítulo V, “Nacionalismo e populismo: forças sociais e política desenvolvimentista na fase de consolidação do mercado interno”, pp. 119-146.
IANNI, Octávio ([1968]). O colapso do populismo no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
REIS FILHO, Daniel Aarão (2010). O colapso do populismo ou a propósito de uma herança maldita. In FERREIRA, Jorge (org.). O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2ª ed., pp.321-377.
GOMES, Angela de Castro (2010). O populismo e as ciências sociais no Brasil: notas sobre a trajetória de um conceito. In FERREIRA, Jorge (org.). O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2ª ed., pp.17-57.

AULA 15. O State Building brasileiro: José Murilo de Carvalho, Fernando Uricoechea, Elisa Reis e Simon Schwartzman

Contemporâneos, os autores focalizados apresentam versões distintas acerca dos processos de formação da máquina pública, burocrática e administrativa do Estado Nacional, revendo a história brasileira a partir de suas instituições.

Bibliografia indicada

CARVALHO, José Murilo de (2003). A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 4ª ed..
URICOECHEA, Fernando ([1978]). O minotauro imperial. São Paulo: Difel.
REIS, Elisa Pereira ([1979]). The Agrarian Roots of the Authoritarian Modernization in Brazil: 11880-1930. Ph.D. Dissertation, Massachussets Institute of Technology/Iuperj, Massachussets.
SCHWARTZMAN, Simon ([1982]). Bases do autoritarismo brasileiro. Campus, São Paulo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Programa - Democracia no Brasil Contemporâneo


Universidade Federal da Paraíba
Centro de Ciências Humanas Letras e Artes
Departamento de Ciências Sociais
Curso de Ciências Sociais


Disciplina: Democracia no Brasil contemporâneo
Docente: Prof. Dr. José Henrique Artigas de Godoy
Período: 2012.2 (dezembro de 2012 a abril de 2013)
Horário: sextas-feiras das 19:00 às 22:20 hs.

Programa

AULA 1  - Apresentação do curso

AULA 2 – A transição do regime militar para a democracia no Brasil.

Bibliografia indicada:

ANDRADE, Luiz Aureliano Gama de. A construção da ordem democrática: notas sobre o caso brasileiro. In  MOURA, Alexandrina Sobreira de (org.). O Estado e as políticas públicas na transição democrática. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais/ Edições Vértice, com comentários de Sebastião Velasco Cruz, 1989.
CARVALHO, Inaiá & LANIADO, Ruthy Nádia. Transição democrática, políticas públicas e movimentos sociais. In MOURA, Alexandrina Sobreira de (org.). O Estado e as políticas públicas na transição democrática. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais/ Edições Vértice, com comentários de Roberto Aguiar, 1989.
CHAUÍ, Marilena & NOGUEIRA, Marco Aurélio. O pensamento político e a redemocratização no Brasil. São Paulo: Lua Nova, 71: 173-228, 2007. In http://www.scielo.br/pdf/ln/n71/05.pdf, , extraído em 29/11/2012.
COUTINHO, Carlos Nelson. Democracia: um conceito em disputa. In http://www.socialismo.org.br/portal/filosofia/155-artigo/699-democracia-um-conceito-em-disputa-, extraído em 29/11/2012.
LAMOUNIER, Bolívar. Perspectivas da consolidação democrática: o caso brasileiro. In HTTP://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00)04/rbcs04_05.htm, , extraído em 29/11/2012.
KINZO, Maria d’Alva Gil. A democratização brasileira. Um balanço do processo político desde a transição. São Paulo: São Paulo em perspectiva, 15 (4), pp. 3-12, 2001.
MELO, Marcus André B. C. de. Políticas públicas e transição democrática. In MOURA, Alexandrina Sobreira de (org.). O Estado e as políticas públicas na transição democrática. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais/ Edições Vértice, com comentários de Luiz Aureliano Gama de Andrade, 1989.
REIS, Elisa Pereira. Política e políticas públicas na transição democrática. In MOURA, Alexandrina Sobreira de (org.). O Estado e as políticas públicas na transição democrática. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais/ Edições Vértice, com comentário de Maria Helena Guimarães, 1989.
WEFFORT, Francisco. Por que democracia? São Paulo: Brasiliense, 1986.
WEFFORT, Francisco. Qual Democracia? São Paulo: Cia. Das Letras, cap. 4, “Novas democracias. Quais democracias?”, pp. 85-104, e cap. 5, “Democracia delegativa versus movimento democrático”, pp. 105-120, 1992.

AULA 3 – O presidencialismo de coalizão como padrão institucional

Bibliografia indicada

LIMONGI, Fernando. Presidencialismo, coalizão partidária e processo decisório. São Paulo: Novos Estudos/CEBRAP, nº 76, pp. 17-41, 2006.
LIMONGI, Fernando & FIGUEIREDO, Argelina. As bases institucionais do presidencialismo de coalizão. São Paulo: Lua Nova, no. 44, pp. 81-106, 1998.
LIMONGI, Fernando.  A democracia no Brasil: presidencialismo, coalizão partidária e processo decisório. São Paulo: Novos Estudos/CEBRAP, nº 76, pp. 17-41, 2006.
MASTRUCELLI, Danilo Enrico. A ideologia do “presidencialismo de coalizão”. São Paulo: Lutas Sociais, nº 24, p. 60-69, 2000.
MENDES, Maurício Matos. Breves anotações sobre o presidencialismo de coalizão. Basília: E-legis, nº 3, pp. 62-72, 2009. In  http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/2261/breves_anotacoes_mendes.pdf?sequence=4, extraído em 29/11/2012.

AULA 4 – A relação entre os Poderes
Bibliografia Indicada

ARANTES, Rogério. Direito e política: o Ministério Público e a defesa dos direitos coletivos. São Paulo: Revista Brasileira de Ciências Sociais/ANPOCS, vol. 14, nº 39, pp. 83-102, 1999.
BURGOS, Marcelo Baumann & CARVALHO, Maria Alice de & MELO, Manuel Palacios Cunha & WERNECK VIANNA, Luis. A judicialização da política e das relações sociais no Brasil. Rio de Janeiro: REVAN, parte I, cap. 1, “A judicialização da política no Brasil: o duplo caráter da Judicialização da Política no Brasil”, pp. 47-70, 1999.
COMPARATO, Fabio Konder. O poder judiciário no regime democrático. São Paulo: Estudos avançados/USP, vol. 18, nº 51, pp. 151-158, 2004.
KINZO, Maria d’Alva. Partidos, eleições e democracia no Brasil pós-85. São Paulo: Revista Brasileira de Ciências Sociais/ANPOCS, vol. 19, nº54, pp. 23-40, 2004.
METTENHEIM, Kurt von. A presidência e a separação dos poderes no Brasil (1999-2002). São Paulo: Tempo Social/USP, vol. 15, nº 2, pp. 238-267, 2003.
MORAES, Filomeno. Executivo e Legislativo no Brasil pós-constituinte. São Paulo: São Paulo em perspectiva, vol. 15, nº 4, pp. 45-52, 2001.
MUELLER, Bernardo & PEREIRA, Carlos. Partidos fracos na arena eleitoral e partidos fortes na arena legislativa: a conexão eleitoral no Brasil. Rio de Janeiro, Dados, vol. 46, nº4 ,  pp. 735-771, 2003.
SADECK, Maria Tereza. Judiciário: mudanças e reformas. São Paulo: Estudos avançados/USP, vol. 18, nº51, pp. 79-101, 2004.
WERNECK VIANNA, Luis & Burgos, marcelo, & Sales, Paula. Dezessete anos de judicialização da política. São Paulo: Tempo social/USP, vol. 19, nº 2, pp. 39-85, 2007.

AULA 5 – Cidadania e participação política

BAQUERO, Marcello. Cultura Política participativa e desconsolidação democrática: reflexões sobre o Brasil contemporâneo. São Paulo: São Paulo em Perspectiva, nº 15, vol. 4, 2001. Extraído em 14/01/2013 de http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0102-88392001000400011&script=sci_arttext
CARVALHO, José Murilo de ([2000]2008). Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 10ª ed., capítulo IV, “A cidadania após a redemocratização”, pp. 197-217.
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania, estadania, apatia. In Jornal do Brasil, edição de 24/06/2001, p. 8.  Extraído em 14/01/2013 de http://www.ifcs.ufrj.br/~ppghis/pdf/carvalho_cidadania_estadania.pdf .
LOPES, Juarez Brandão. A cultura política do mando: subserviência e nossas populações pobres. São Paulo: Revista Brasileira de Ciências Sociais, nº 25, 1994. Extraído em 14/01/2013 de http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_25/rbcs25_03.htm
REIS, Elisa Pereira. Sobre a cidadania. In REIS, Elisa Pereira. Processos e Escolhas: estudos de Sociologia Política. Rio de Janeiro: Contra-capa Livraria, pp. 27-43, 1998.
REIS, Elisa Pereira. Cidadania: história, teoria e utopia. Palestra proferida no seminário internacional Justiça e Cidadania, realizado no Rio de Janeiro nos dias 10 e 11 de setembro de 1997. Extraído em 14/01/2013 de http://www.comunidadesegura.org.br/files/cidadaniahistoriateoriaeutopia.pdf
SALES, Teresa. Raízes da desigualdade social na cultura política brasileira. São Paulo: Revista Brasileira de Ciências Sociais/ANPOCS, nº 25, 1994. Extraído em 14/01/2013 de http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_25/rbcs25_02.htm
TELLES, Vera da Silva. Cultura da dádiva: avesso da cidadania. São Paulo: Revista Brasileira de Ciências Sociais, nº 25, 1994. Extraído em 14/01/2013 de http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_25/rbcs25_05.htm


AULA 6 – Prova
AULA 7 – Movimentos sociais como atores políticos

GOHN, Maria da Glória. Movimentos sociais na contemporaneidade. São Paulo: Revista Brasileira de Educação, v. 16, nº 47, 2011. Extraído em 14/01/2013 de http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v16n47/v16n47a05.pdf
PAOLI, Maria Célia. Movimentos Sociais, cidadania, espaço público: perspectivas brasileiras para os anos 90. São Paulo: Revista Crítica de Ciências Sociais, nº 33, pp. 115-133, 1991. Extraído em 14/01/2013 de https://docs.google.com/file/d/0B-C1cSpbKdaWUDhXWlVudFpDVmM/edit

AULA 8 - Reforma do Estado e Neoliberalismo
ANDERSON, Perry. Além do neoliberalismo. In SADER, Emir & GENTILLI, Pablo (orgs.). Pós-neoliberalismo, as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, pp. 9-10, 1995. 
BOITO Jr., Armando. Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil. São Paulo: Crítica Marxista, nº 3, 1996. Extraído em 14/01/2013 de http://www.unicamp.br/cemarx/criticamarxista/3_Boito.pdf
BRESSER PEREIRA, Luis Carlos. A reforma do Estado dos anos 90: lógica e mecanismos de controle. Brasília: Cadernos MARE, 1997. Extraído em 21/02/2013 de http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/publicacao/seges/PUB_Seges_Mare_caderno01.PDF
BRESSER PEREIRA, Luis Carlos & GRAU, Nuria Cunill. Entre o Estado e o Mercado: o público não estatal. In BRESSER PEREIRA, Luis Carlos & GRAU, Nuria Cunill (org.). O público não estatal na Reforma do Estado. Rio de Janeiro: Editora FGV, pp. 15-48, 1999. Extraído em 14/01/2013 de http://www.bresserpereira.org.br/papers/1998/84PublicoNaoEstataRefEst.p.pg.pdf

BRESSER PEREIRA, Luis Carlos. Democracia, Estado Social, e Reforma Gerencial. Intervenção no VI Fórum da Reforma do Estado. Rio de Janeiro, 1º. de outubro de 2007. Extraído em 14/01/2013 de http://www.bresserpereira.org.br/papers/2008/07.17.DemocraciaEstadoSocialEReformaGerencial.28.2.08.pdf
DAGNINO, Evelina. Construção democrática, neoliberalismo e participação: os dilemas da confluência perversa. Campinas: Política & Sociedade, nº 5, pp. 139-164, 2004. Extraído em 14/01/2013 de http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/1983/1732
DINIZ, Eli. Globalização, Reforma do Estado e teoria democrática contemporânea. São Paulo: São Paulo em Perspectiva, vol. 15, nº 4, 2001. Extraído em 14/01/2013 de http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392001000400003&script=sci_arttext

AULA 9 –  Petismo e Lulismo
SINGER, André.  Raízes sociais e ideológicas do lulismo. São Paulo: Novos Estudos/CEBRAP, 85, nov. 2009, pp. 83-102. Extraído em 14/01/2013 de http://novosestudos.uol.com.br/acervo/acervo_artigo.asp?idMateria=1356
SAMUELS, David. As bases do petismo. Campinas: Opinião Pública, vol. X, nº 2, out. 2004, pp. 221-241. Extraído em 14/01/2013 de: http://www.scielo.br/pdf/op/v10n2/22016.pdf
SAMUELS, David. “A evolução do petismo (2002-2008)”, Campinas, Opinião Pública, XIV (2), nov. 2008, pp. 302-318. Extraído em 14/01/2013 de: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-62762008000200002&script=sci_arttext
VIANNA, Luis Werneck. O Estado Novo do PT. In Gramsci e o Brasil, Extraído em 14/01/2013 de: http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=755
SALLUM JR., Brasílio. Hegemonia liberal, desenvolvimentismo e populismo: notas sobre a especificidade do governo Lula. Extraído em 14/01/2013 de: http://www.nuso.org/upload/articulos/3554_2.pdf

AULA 10 –A nova questão do desenvolvimento

BATISTA JR., Paulo Nogueira. Desenvolvimento “light”? Portal Vermelho, 26/01/2007. Disponível em: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=12052&id_secao=1. (Página consultada em 15.06.2012).
BRESSER PEREIRA, Luis Carlos. O novo desenvolvimentismo e a ortodoxia convencionalSão Paulo em Perspectiva, São Paulo, Fundação Seade, v. 20, n. 3, p. 5-24, jul./set. 2006. Extraído em 14/01/2013 de http://www.seade.gov.br/produtos/spp/v20n03/v20n03_01.pdf
CEPÊDA, Vera Alves. Inclusão, democracia e novo-desenvolvimentismo: um balanço histórico. In São Paulo: Revista Estudos Avançados/USP, 2012, Extraído em 05/03/2013 de:  http://www.scielo.br/pdf/ea/v26n75/06.pdf

COSTA, Fernando Nogueira da. Desenvolvimento do desenvolvimentismo: do Socialismo Utópico ao Social-Desenvolvimentismo. Campinas: Texto para Discussão/ IE/UNICAMP, N. 250, mai/2012. Extraído em 14/01/2013 de:  http://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2012/04/fernando-costa-desenvolvimento-do-desenvolvimentismo.pdf
DINIZ, Eli. O contexto internacional e a retomada do debate sobre desenvolvimento no Brasil contemporâneo (2000/2010). Rio de Janeiro: Dados, Vol. 54, N. 4, pp. 493 a 531, 2011.
DRAIBE Sônia M.; RIESCO, Manuel. Estados de Bem-Estar Social e estratégias de desenvolvimento na América Latina; um novo desenvolvimentismo em gestação? Porto Alegre: Sociologias, Porto Alegre, ano 13, no 27, mai./ago, p. 220-254, 2011. Extraído em 14/01/2013 de http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-45222011000200009&script=sci_arttext
POCHMANN, Márcio. Novo desenvolvimentismo como resposta à crise globalIn CASTRO, Daniel; MELO, José Marques de (orgs.). Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil, 2011-2012: Indicadores. Brasília: Ipea, 2012. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/Panorama_da_Comunicao_e_das_Telecomunicaes_no_Brasil_-_Volume_1.pdf
RIDENTI, Marcelo. Desenvolvimentismo: o retornoRevista Espaço Acadêmico, nº 92, jan-2009. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/092/92ridenti.pdf
SICSÚ, João; PAULA, Luiz Fernando de; MICHEL, Renaut. Por que novo-desenvolvimentismo? Revista de Economia Política, vol. 27, nº 4 (108), pp. 507-524 out-dez/2007. Extraído em 14/01/2013 de : http://www.ie.ufrj.br/moeda/pdfs/porque_novo_desenvolvimentismo.pdf
KERSTENETZKY, Celia Lessa. Wellfare State e Desenvolvimento. Rio de Janeiro: DADOS, vol. 54, nº 1, pp. 129 a 156, 2011. Extraído em 14/01/2012 de http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52582011000100004&script=sci_arttextProva

AULA 11- Prova

AULA 12 - A democratização da democracia e a republicanização da República

 AVRITZER, Leonardo. O orçamento participativo e a teoria democrática: um balanço crítico. In http://www.democraciaparticipativa.org/files/LeonardoAvritzer-Oor%E7amentoparticipativoeateoriademocr%E1ticaumbalan%E7ocr%EDtico.pdf , extraído em 29/11/2012.
AVRITZER, Leonardo & Anastasia, Fátima. Reforma Política no Brasil. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2006. In http://www.democraciaparticipativa.org/files/livro_reformaPol.pdf, extraído em 29/11/2012.
AVRITZER, Leonardo & COSTA, Sérgio. Teoria crítica, democracia y esfera pública: concepciones e usos en América Latina. In http://www.democraciaparticipativa.org/files/Espanol/Arquivos/bibli_espacio%20publico.pdf, extraído em 29/11/2012.

AULA 13 – Reformas políticas e a cidadania possível
ANASTASIA, Fátima & AVRITZER, Leonardo (org.). Reforma Política no Brasil. Belo Horizonte: UFMG, 2003.
AULA 14 – Prova
AULA 15 – Prova Final


segunda-feira, 23 de julho de 2012

História do Brasil Nação - Crise Colonial e Independência (1808-1830)

Sob a direção de Lilia Schwarcz, a coleção História do Brasil Nação (1808-2010), fruto da cooperação entre a Fundação Mapfre e a ed. Objetiva, com divulgação em toda a América Latina, lançou no ano passado seu primeiro volume, Crise Colonial e Independência (1808-1830), sob a coordenação de Alberto Costa e Silva. Em uma bela edição, a coletânea traz cinco artigos, do organizador do volume, que também escreve a introdução, e ainda de Lúcia Bastos Pereira das Neves, Rubens Ricupero, Jorge Caldeira e Lilia Schwarcz. Destaco aqui o excelente artigo de Lúcia Neves, sobre a vida política no início do século XIX que, retomando temas já apresentados em seu doutorado (Corcundas e Constitucionais) e em outros artigos, recupera a centralidade do grupo coimbrão, especialmente sob a liderança de D. Rodrigo de Souza Coutinho. Ganha também atenção a formação iluminista na origem da Academia de Ciências de Lisboa. Como o volume tem como marco temporal limite 1830, o artigo não trata particularmente da "segunda geração" de líderes políticos coimbrãos, a da Regência, de Bernardo Pereira, Uruguai, Paraná, Itaboraí, etc.Outro artigo que merece atenção especial é o de Jorge Caldeira, que destaca um aspecto pouco estudado quando se trata do período colonial, o mercado interno. O autor professa a tese de que a maior parte da riqueza produzida na colônia não foi exportada e a dinâmica econômica portuguesa era condicionada pela brasileira. Este ano foi publicado o segundo volume da série, sob a coordenação de José Murilo de Carvalho, vale a pena conferir.

domingo, 27 de maio de 2012

Perspectivas da cidadania no Brasil Império

O livro "Perspectivas da cidadania no Brasil Império", coordenado por José Murilo de Carvalho e Adriana Pereira Campos, lançado em 2011, é o terceiro volume de artigos dos pesquisadores envolvidos no programa de apoio a núcleos de excelência (PRONEX) do CNPQ e da FAPERJ, coordenado pelo Centro de Estudos do Oitocentos (CEO). O grupo, que reúne pesquisadores de nove universidades diferentes, vem trabalhando em conjunto desde 2003. A atual coletânea reuniu 19 artigos. O resultado é signo da excelência do grupo de pesquisadores que, em 2007, lançou o primeiro volume, intitulado "Nação e cidadania no Império: novos horizontes e, em 2009, o segundo, "Repensando o Brasil do Oitocentos: cidadania, política e liberdade". Do trabalho do mesmo grupo ainda foi publicado em 2010 a coletânea organizada por Gladys Sabrina Ribeiro, "Brasileiros e cidadãos: modernidade política (1822-1930)". As pesquisas desta ampla e variada equipe de cientistas sociais e historiadores vêm dando novas luzes aos estudos sobre o Império.
Desde os idos dos anos 1970, com a publicação do História Geral da Civilização Brasileira, organizado por Sérgio Buarque e Boris Fausto, os estudos históricos sobre o Império perderam destaque. A partir dos anos 1990, com a ampliação dos estudos sobre o pensamento político brasileiro, percebe-se uma revitalização dos estudos sobre o período. Especialmente a partir do final da década de 1990, jovens pesquisadores, como Gabriela Nunes Ferreira, Ivo Coser, Christian Lynch, Keila Grimberg e Ricardo Salles (estes dois últimos organizaram uma excelente coletânea em três volumes intitulada "O Brasil Imperial", publicada em 2009), por exemplo,  vêm se destacando nos estudos sobre o pensamento político no Império.
Esta terceira coletânea lançada pelo CEO pode-se destacar especialmente o artigo de José Murilo de Carvalho sobre a involução da participação eleitoral de 1821 a 1930, o de Leslie Bethel, de Oxford, sobre o "império informal britânico" e ainda o de Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves sobre as ideias liberais e as práticas absolutistas no governo de D. João. Lúcia Neves finalmente publicou em 2003 sua tese de doutorado sobre a imprensa e o pensamento político no período da Independência ("Corcundas e constitucionais: a cultura política da independência - 1820-1822). Vale a pena conferir.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Oliveira Vianna e O ocaso do Império

Em consonância com a consolidação do campo de estudos sobre o Pensamento Social e Político Brasileiro, a obra de Oliveira Vianna tem sido, lentamente, republicada desde a década de 1990 . A Editora do Senado já havia produzido, em 2004, uma bem trabalhada republicação de O Ocaso do Império e, em seguida, em 2005, foi lançada a republicação de Populações Meridionais do Brasil. O ocaso foi prefaciado por  Walter Costa Porto e Populações por José Sarney. A procura foi tal que no ano passado saiu a nova edição de O ocaso, idêntica à de 2004. As edições foram disponibilizadas para Download pelo site Domínio Público http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/sf000067.pdf e http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/sf000055.pdf). Apesar da importância da divulgação dos textos de Vianna, e das bem trabalhadas edições do Senado, em 2006, foi lançada uma linda  edição de O ocaso do Império impressa pela Academia Brasileira de Letras, com prefácio de José Murilo de Carvalho, um primor, está disponível em pdf.  A edição é luxuosa, para poucos, mas a cópia em PDF é grátis, basta clicar no link http://www.academia.org.br/antigo/media/O%20ocaso%20do%20Imperio%20-%20Oliveira%20Viana%20-%20PARA%20INTERNET.pdf

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Élide Rugai Bastos e André Botelho - Para uma sociologia dos intelectuais

No penúltimo número da Revista DADOS, Élide Rugai Bastos e André Botelho apresentam um tributo à obra de Sérgio Miceli em face de sua contribuição para os estudos sobre os intelectuais no Brasil. Acompanhe:
http://www.scielo.br/pdf/dados/v53n4/a04v53n4.pdf

Lilia Moritz Schwarcz e André Botelho - Agenda Brasileira: temas de uma sociedade em mudança

Complementando a coletânea de 2009, "Um enigma chamado Brasil: 29 intérpretes e um país", acaba de ser lançado o volume "Agenda Brasileira: temas de uma sociedade em mudança", organizado por Lilia Schwarcz e André Botelho. Os dois livros se complementam no esforço de traçar um perfil amplo do estado da arte dos estudos sobre Pensamento Social no Brasil, recrutando uma longa lista de intérpretes contemporâneos que tratam de assuntos variados relacionados ao pensamento e à explicação do Brasil. Se o primeiro lançamento focava um conjunto de autores seminais do pensamento social, desta vez o roteiro é temático e envolve um perfil  amplo e variado de pesquisas que são apresentadas, como no primeiro volume, de forma rápida e panorâmica. Embora não tenham um vínculo direto, os dois volumes expressam de forma condensada os resultados reunidos de boa parte da produção acadêmica refletida nos 30 anos do Grupo de Trabalho de Pensamento Social no Brasil da ANPOCS, coordenado de 2009 a 2011 pelos organizadores das coletâneas. O formato das duas coletâneas é interessante para os iniciantes no campo de pesquisa do pensamento social no Brasil, os artigos curtos e variados, com conteúdos panorâmicos e superficiais, garantem fluidez e dinamismo, de forma que possam também ser apreendidos pelo grande público. Vale a pena conferir.
Paralelamente ao lançamento dos livros pela Cia. das Letras, saiu no penúltimo número da Revista Lua Nova, do CEDEC, um interessante dossiê sobre o pensamento brasileiro, também organizado por Lilia e André Botelho. Ao lado, na seção TEXTOS, há alguns textos do dossiê.
http://www.scielo.br/pdf/ln/n82/a02n82.pdf